16 de mai de 2011

Gonzo.


A experiência começou bem cedo, às 05h20 da manhã. Ao abrir os eyes, mesmo atrasado, logo pensei em duas coisas: "hoje, finalmente, vou ver o Superchënk"; "será que, no aeroporto, vão desconfiar do meu RG falso?". Apesar da preocupação repentina, logo tomei meu Milk Shêike de lixo e, com a barriga já cheia, fiquei numa naice; pois tudo parecia correr como o previsto. Isso até a hora do embarque para a Capital da Solidão, quando fui impedido de viajar ao estilo OKAIDA, com meu canivete e uma lata de spray; o primeiro escondido numa embalagem de Café Iguaçu e a segunda com um rótulo falso que fiz no paint, simulando um desodorante Rexona. Ainda que desprovido de meus utensílios essenciais, me senti muito seguro até o desembarque em São Paulo, pois, como de costume, no avião, todos abaixavam a cabeça -- em sinal de respeito.


Rótulo falso que coloquei em um dos meus sprays.

Já na "Capital da Solidão", depois de um breve rolê pra dar uma pichada nos muros da Z.L. (/V), encontrei o resto do Brooklyn, já que o bom senso manda que gangues e grupos terroristas viajem sempre separados, no máximo em duplas. Gabriel Brasil, fora um dia antes. Thiago "Dead Cat" Pestana e Pizzadora chegaram quase na hora do almoço, quando comemos a refeição preferida da clique: lixo. Com o grupo já completo e acompanhado da célula paulistana -- formada por Bruno "Gajo" Portuga, Ana "Bom Humor" Luiza e José "Calças Pelegrini" --, partimos pra Mogi Mirim com nossas máscaras de gato e pintura corporal imitando calças jeans. No interior paulista, nenhuma novidade. Numa espécie de "seleção natural", nessa ocasião, a gangue reunia apenas os membros mais cruéis e violentos do Brooklyn. E, como de costume, todos faziam reverência ou pediam autógrafos. Muitas vezes, era necessário repetir: "Sim, nós parecemos uma banda gringa. Mas somos o Brüki e não estamos a fim de socializar, ok?". É claro que isso não valia para todos e mantivemos algum contato com aquele tipo de gente com a qual a gangue se identifica: maloqueiros, vendedores ambulantes e o pessoal da limpeza pública.


"Meu cabelinho é tchunay! Waaaaaaau!"

O tão aguardado show estava chegandis. Mas, antes, era necessário vivenciar aquele ritual que todos nós adoramos: atrapalhar as bandas de abertura. Dentre essas, o destaque ficou para as "Porcas Borboletas" -- a pior merda que já presenciei em toda minha life. Um mix de referências que vão de Radiohead a Cordel do Fogo Encantado, passando por Arnaldo Antunes e Dead Kennedys. Felizmente, conseguimos atrapalhar ao ponto de os caras desistirem. Não é pra menos, já que antes da apresentação desses merdinhas, Bruno "Gajo" Portuga tombou um banheiro químico, no qual se encontrava o vocalista. Isso é algo que intimida e impõe respect. Já a última atração antes do Superchunk parece ter mexido com o brio dos nosso ídolos. Me refiro aqui à trupe circense "Fuscalhaço", composta pelos palhaços "Maluco" e "Meleca". Esses sim, esbanjaram alegria e maloqueirice. Apesar da fórmula meio ultrapassada, ao estilo "doutores da alegria", zuaram a valer e mandaram muito bem quando fizeram pirocóptero com um crucifixo.


Fuscalhaço: zuaram pra caralho quando fizeram pirocóptero com crucifixo.

O desafio estava lançado. Será que Mac, Laura Ballance e os outros dois integrantes que eu não sei o nome conseguiriam superar a apresentação dos çolhapas!? Diante da ameaça, isso era questão de honra... E o Superchunk, realmente, apavorou! Entre uma piscadela e outra para o Brooklyn -- todo postado às direitas do palco --, os caras deram uma aula de como se deve tocar rock feito maloqueiro, alternando clássicos, músicas tchunay do seu último álbum e outros sons que, mesmo desconhecidos pra mim, eu fingia que estava cantando pra fazer uma moral. Como combinado por e-mail, conforme o pedido de nosso ídolos, no meio de "Crossed Wires" erguemos nossas máscaras de gato. Laura Ballance fingiu ficar surpresa e delirou. Foi até Mac e disse ao seu ouvido de criança: "Acho que fizemos moral com o Brooklyn agora. Esses caras são mesmo da pesada, como eu já desconfiava ao ver o last.fm deles".


Foto desfocada de propósito.

Após o show, só alegria. Comemos espetinhos, tomamos umas beers com os caras e, talvez, o momento mais emocionante da noite; autografamos os instrumentos da banda e, em troca, eles assinaram uma de nossas máscaras de gato -- pena que, minutos depois, ela caiu no mijo quando entrei em um banheiro químico. Antes de irmos embora, o desabafo de Mac: "- Valeu, meus amigos. Não sei se conseguiremos tocar amanhã em Bacaroso, sem vocês nos passando confiança". Eles tocaram; e o público foi pequeno. Afinal, sem o Brooklyn, o Superchunk não é nada. Fim.


video




3 comentários:

Anônimo disse...

que da hora! queria ter ido, pena que já tinha marcado pela nétchy uma treta em londrina.

abraço do buiú

menino de longe disse...

"outros sons que, mesmo desconhecidos pra mim, eu fingia que estava cantando pra fazer uma moral."

HEHAOEHOAHOEAHEPAHEAEoehae
EHAE9AEYR-9WEU21YR9DOFJHSIPHFAQSF[Q
QAYRF-9QWRFYHASSAHNAS´]~]A

Carolina disse...

porcas borboletas nao é shitbag!